domingo, 3 de abril de 2011

As coisas acontecem como devem acontecer

nestes dias quase apaguei,
com uma fraqueza danada, gritei por meu rei,
logo, logo chegou e viu o que passei,
me abana ligeiro, me chama o enfermeiro,
com dores estava, de dor eu chorei.

meu marido fofo, da alma bendita,
num parou de abanar aquela face esquisita,
com os médicos falou,
a ambulância chegou,
pro hospital me levou,
iniciando o que era
uma noite maldita.

os homi checaram, de longe eu ouvia,
o branco das luzes e a correria,
me deixaram nervosa, com uma agonia,
que só piorou, depois que contou,
que prá faca eu iria.

a noite avançou, e do jeito que vinha,
meu amor lá fora e minha filha sozinha,
me agarrei a Deus pedindo uma mãozinha,
prá não me levar porque ainda não tinha,
cumprido a missão, e queria um tempão,
prá curtir minha vidinha.

o doutor voltou,
meu amor se agarrou,
a notícia que chegou,
deixou encucado,
o menino que tinha,
no lugar errado?
e a muié que ele ama,
deitada na cama,
agora estava,
com tudo sanado.

a tristeza passou,
e o doutor me alertou,
"olhe, outro menino,
só com tudo sarado!!!",
mas que daqui a pouco,
com seu marido tarado,
a realidade será,
uma ruma de fi no lombo do coitado.

Um comentário:

  1. Que lindo Michelly, não conhecia esta sua versão poeta, cordelista...sei lá, só sei que TÁ LINDO DEMAIS. Só tenho uma coisa pra pedir: ESCREVE MAIS!!!!!
    Bjssssss

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